Grêmio paga caro pela ‘ditadura do resultado’

Desafio negado

Quando se vence é o suprassumo da perfeição e todo o resto é apenas resto! Ledo engano. Mais difícil que se chegar ao topo é manter-se nele. Eis o desafio negado pelo Grêmio. Mesmo envergando o escudo de Tri da América, algumas medidas eram imprescindíveis. Cadê os reforços para a zaga, laterais e camisa 9? Por que alguns atletas de reconhecida incapacidade técnica ainda integram o grupo? Nesta linha: alguém tem dúvidas que Bressan jamais teve estofo profissional pra envergar a camiseta mais vitoriosa do Sul do Brasil?

Resumo da ópera

Ah, mas Bressan jogou a final da Libertadores ano passado contra o Lanús e teve uma jornada segura. Tem traços de liderança, ganhou destaque por provocar publicamente o rival e teve até o contrato renovado. É um atleta raçudo, com brio, entrega e irresignação: a cara do Grêmio! E o principal: tem a confiança do Treinador-Mito. Com o perdão do simplismo, o Grêmio pagou caro pela ditadura do resultado…

Cronista eterno

Renato teimou, insistiu, negou a obviedade e prestou homenagem à memória do saudoso cronista Cláudio Cabral. Polêmico e frasista incomparável, ele dizia mais ou menos assim: “Jogador ruim no elenco é um perigo. Uma hora ele vai jogar”.

VAR e a omissão

Afinal, qual é a finalidade do VAR? O erro de arbitragem é sempre revoltante e tira o brilho dos vitoriosos. Ainda mais quando se tem à disposição uma tecnologia escalada para amenizar as injustiças. A eliminação do Grêmio infelizmente passou pelo apito. Todavia, por que os jogadores, logo após o gol de Borré, não pressionaram acintosamente a arbitragem? Reposta: porque dentro de campo ninguém viu.

Mão do treinador

Em Buenos Aires e em Porto Alegre Renato foi perfeito. Na estratégia, na manutenção tática do 4-1-4-1 e nas substituições. A titularidade de Paulo Miranda, na vaga de Kannemann igualmente foi acerto, mesmo com a necessidade de inverter o lado de Geromel. Maldita sejam as cãibras de PM.

Cobertor curto

Futebol se ganha, se perde ou se empata é no meio-campo. E inegável que a troca de Maicon por Éverton fragilizou o meio. Todavia, o capitão, estafado, pediu pra sair. Cebolinha era a chance de liquidar o duelo, o que quase ocorreu, não fosse a conclusão imprecisa do camisa 11, atrelada aos méritos de Armani.

Xadrez

Sem Maicon, o jovem Jean Pyerre poderia ser alternativa pra lacuna deixada por Luan e a volta ao modelo vitorioso dos últimos tempos no 4-2-3-1. Entretanto, Renato optou pela experiência. Não vejo falha! Futebol é jogo de xadrez e requer tomada de decisão. Sinceramente, não vejo erro do comandante. Começar com Alisson, na vaga de Éverton foi outro acerto. O atacante da seleção estava visivelmente desembocado.

Castigo

O Grêmio foi bravo e organizado nos dois jogos da semifinal. Entretanto, o time de Renato jogou futebol durante míseros momentos em 180 minutos. A estratégia adotada foi a possível, ancorada nos verbos resistir, suportar e suar. O time jogou com a corda esticada. Esfacelado, improvisado, escalado de maneira emergencial. Pelas jornadas corretas do ponto de vista defensivo, a eliminação no apagar das luzes não deixa de ser um duro castigo.

No limite

Os dois gols ‘achados’ após escanteio embalaram o sonho do Tetra, em Buenos Aires e em Porto Alegre. Entretanto, o pragmatismo bateu no teto. Agora, foco total no Brasileirão e numa das vagas diretas à Libertadores 2019. Jean Pyerre e Tony Anderson surgem como alternativas de reciclagem e oxigenação já para sábado. A maior ameaça é a ressaca…

 

Fotos: Lucas Uebel / Grêmio oficial

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