Grêmio e a referência mundial na ‘arte da limonada’

Estratégia cirúrgica

Desfalcado, esfacelado e improvisado, seria fundamental a mão do treinador para que o Grêmio saísse de Buenos Aires, no mínimo, vivo! A emenda saiu “melhor” que o soneto. Ao contrário do que normalmente ocorre, desta feita, Renato foi cirúrgico na estratégia. O ingresso de Michel, a afirmação do 4-1-4-1 e a postura pragmática — coroada pelo gol de bola parada — fizeram do treinador o grande artífice do sucesso até então ‘improvável’ na capital argentina.

Resumo da ópera

O Grêmio foi imortal na essência! O tricolor gaúcho é referência mundial na arte de fazer do limão uma saborosa limonada. Nem que para isso tenha sido preciso negar, por 90 minutos, o atual DNA da equipe. Pelas circunstâncias, o Futebol Além do Resultado abriu terreno para a postura possível. Nada a contestar. O Grêmio venceu com méritos e ancorado nas óbvias ferramentas à disposição.

Oxigenação

Há tempos dizíamos que o 4-2-3-1 com Ramiro no flanco bateu no teto. Renato teimou e demorou, mas acabou migrando a mecânica pro 4-1-4-1 tendo Alisson e Éverton pelas extremas, o que garantiu fluidez ofensiva e ampliou o poder de fogo. Mesmo sem Luan e Cebolinha, o comandante bancou o mesmo esquema e promoveu o ingresso de Michel, mesmo sem ritmo. Com o camisa 5, o sistema defensivo beirou a excelência. O gol de Michel foi apenas a cereja do bolo do acerto de Renato.

Encaixe

Futebol é um organismo vivo e, portanto, mutável. Entretanto, o ponto de partida do River é o 4-4-2 losango. Com o 4-1-4-1, Renato encaixou Michel, Maicon e Cícero em Pity Martinez, Quinteros e Palácios. Futebol é cada vez mais a arte de “encontrar ou negar espaços”. Bingo! O Grêmio foi superior também no tatiquês! Faltou feeling pra Galhardo, para ao menos, ter aberto Martinez à direita pra tirar o encaixe da marcação gaúcha.

Decisão

Éverton pode voltar na Arena, bem como Léo Moura. Luan já é mais difícil! Em Porto Alegre, a tendência é que o tricolor repita a estratégia de “esperar o inimigo”. É lógico e óbvio, mas cuidado pra não sentar na vantagem. Sem Kannemann, chegou a hora do “bruxismo” ceder espaço para a racionalidade, através da titularidade de Paulo Miranda. Nem que para tanto seja preciso inverter o lado de Geromel. Boa sorte à nação de Três Cores!!!

 

Fotos: Lucas Uebel / Grêmio oficial

Adicionar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *