Virtude tática e “bola parada” recolocam França no topo do Planeta Bola

Bi sem brilho!

Numa Copa do Mundo em que as grandes favoritas sucumbiram, a França fez a parte dela! Após uma estreia decepcionante, Didier Deschamps mudou a equipe tática e nominalmente, o que elevou as ações do time. As jornadas passaram a ter consistência, equilíbrio e robustez. Embora tenha faltado “bom futebol” muitas vezes, a postura pragmática e a qualidade na bola parada garantiram a condição histórica de Bicampeã mundial aos Azuis.

Resumo da ópera

Embora pudesse ter jogado bem mais, pelos jogadores à disposição, é inegável o mérito Francês. A equipe foi campeã tendo eliminado Argentina, Uruguai e Bélgica — que jogou o melhor futebol além do resultado da Copa 2018. Deschamps ganhou a Copa pela virtude tática, mesmo não sendo catedrático no expediente. Doce ironia que ilustra o papel cada vez mais decisivo da “prancheta”. Em tempo: o título da França tem o carimbo de 17 países. Doce e gloriosa miscigenação!!!!

Olhar tático

A presença de Matuidi na meia-cancha e a mudança do 4-3-3 para o 4-2-3-1 foram cruciais para a conquista. Outro fator decisivo foi o recuo de Griezmann como camisa 10 clássico, corrigindo assim, uma lacuna do elenco. Deschamps aprendeu com as lições do gramado! Até mesmo a figura da Giroud foi importante. Embora não tenha balançado a rede nenhuma fez, o camisa 9 garantiu profundidade à equipe. Ao prender a linha de defesa adversária, legou liberdade para Griezmann e para Mbappé. Em tempo 2: apesar de jovem, a França deu aula de “controle emocional”, sobretudo, quando levou a virada na Argentina nas oitavas. Aliás, a melhor atuação da equipe na Copa!

Pelos lados

Os laterais Hernandéz e Pavard foram duas apostas pra lá de exitosas de Deschamps. Antes da Copa, Sidibé e Mendy chegaram à Rússia com a “fama” de jogarem mais que os titulares. Dentro da campo, mais um mérito do treinador que se igualou a Zagallo e a Franz Beckenbauer: campeão dentro de campo e na casamata.

Tetra e Hexa

Em 94, Parreira sacou Raí e colocou Mazinho. A consistência garantiu o Tetra. Em 2018, Tite ignorou o que o campo falava. O meio-campo do Brasil cedeu espaços e faltou articulação. Deschamps foi Parreira, com Matuidi.

Desfalques

No mínimo duas ausências ajudam a explicar o “pouco futebol” da França na Copa. A principal delas foi a não convocação de Rabiot. Meio-cancha que faz todas as funções do setor, o “cabeludo” poderia ter legado mais criatividade à equipe. Além dele, o lesionado Payet, ponta-armador, teria garantido mais poder de conclusão e qualidade na bola parada frontal. Outro desfalque foi o zagueiraço Koscielny, do Arsenal, igualmente vetado pelo DM.

Alternativas

Era possível ter jogado mais, sem perder o equilíbrio defensivo! Para elevar as ações do time, a equipe poderia ter contato com Lemar na extrema-esquerda, jogador canhoto, técnico e de velocidade. Meu “time” teria: Kanté, Pogba e Matuidi; Griezmann e Lemar; com Mbappé no comando ofensivo. Entretanto, o principal problema da equipe foi o conceito de jogo praticado, muitas vezes abusando do “direito de saber sofrer”.

Camisa 10

Mbappe precisou de apenas uma temporada no Mônaco para transformar o selo de “promissor” em realidade. Versátil, atua em todas as funções da faixa ofensiva. Foi campeão Francês como segundo atacante à esquerda, no PSG é ponta-direita e por vezes centroavante, e na seleção ganhou o Mundo como extrema-direita também marcando lateral. Tudo isso, pasmem, aos 19 anos. Velocidade, conclusão e técnica. Uma mistura letal para os adversários!!!!

Resumo da ópera

Na velha relação futebol técnico x futebol de resultado, Deschamps optou pelo conservadorismo. Desta vez deu certo!!!! Ufa!!! Mas a história das Copas mostra que a França de 2018 integra o time das exceções em matéria de Copa do Mundo. Normalmente é preciso jogar bem mais para ter a honra de erguer o troféu mais almejado do Planeta Bola. Parabéns à França! E que venha a Copa do Catar. Tomara que tenhamos muito mais futebol além do resultado do que a 21ª edição na Rússia. Oxalá! Que os deuses da bola digam amém…

 

Fotos: Fifa/oficial e Federação Francesa de Futebol (FFF/Oficial)

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