Partiu 2022? Sonho do Hexa começa pela permanência de Tite

Continuidade

A eliminação da Copa 2018 também passou pelos equívocos de Tite. Mesmo assim, o sonho do Hexa começa pela manutenção do treinador. Nem sempre o fracasso é motivo para a hecatombe, para o “começar do zero”, para o início de um novo ciclo. O gaúcho de Caxias do Sul foi fundamental para a retomada, ressurreição, mutação do futebol da maior vencedora da história das seleções. Na velha e necessária “balança”, os méritos de Tite são esmagadoramente superiores às suas falhas e titubeadas.

Sobrevivência

Em que pese o revés na Copa, é inegável que Tite colocou o Brasil na Era do futebol contemporâneo. Principalmente pela maior atenção a parte tática, o que elevou as ações da equipe com quase as mesmas individualidades da Era Dunga. Dominar os conceitos atuais e emprega-los na prática não é certeza de sucesso, claro que não, mas revela uma questão de sobrevivência. O Hexa ainda não veio, mas certamente, já dissipamos o “fantasma” e aprendemos com as lições do fatídico 7 a 1.

X da questão

Futebol se ganha ou se perde é no meio-campo! Infelizmente Tite ignorou a lição básica na Copa da Rússia e o Brasil passou a competição inteira sofrendo pelos “espaços no setor” e pela falta de articulação.

Eliminatórias

O comandante tinha a opção de repetir o desenho das eliminatórias no 4-1-4-1 com Renato Augusto, quando o Brasil “atropelou” os adversários. Com isso, sairia William, passando Coutinho pra ponta-direita, com liberdade de movimentação pelo meio. Fred ou até Marcelo também poderiam amenizar a ausência do tão falado “ritmista”.

Plano B

No segundo tempo contra o México, Tite reencaixou o time no “clássico” 4-2-2-2. Prendendo Casemiro e Paulinho, legou liberdade para William, Coutinho e Neymar se revezarem nas tarefas de articulação. Contra a Bélgica, a volta ao 4-1-4-1, sem Casemiro, criou um vazio à frente da área, potencializada pela fragilidade técnica de Fernandinho. Sem a robustez de Casemiro, Paulinho também não avançou, tampouco marcou. Neymar e William voltaram a atuar como assessores dos laterais. Não existe tática que resista sem as peças adequadas!

Individualidades

Além do aspecto tático, o fracasso das individualidades também adiou o sonho do Hexa! Neymar, Coutinho, William, Fernandinho, Marcelo e, sobretudo Gabriel Jesus, estiveram muito abaixo na Copa e/ou contra os belgas. Aliás, a insistência com o camisa 9, quando Roberto Firmino sempre ingressava nos jogos e aumentava as ações ofensivas do time, revela mais um erro crasso de Tite.

Resumo da ópera

Para o sucesso no futebol é fundamental a soma de no mínimo quatro virtudes: capacidade técnica, consistência tática, plenitude física e força emocional. Contra a Bélgica, o Brasil consagrou somente a parte “física”. E olhe lá! Neymar, Douglas Costa e Renato Augusto jogaram a Copa longe de suas melhores condições!

Convocação

Os 23 convocados eram os melhores à disposição no momento, com uma ou outra contestação pontual. Para a formação do grupo, a ausência de um camisa 9 à moda antiga poderia ter ajudado, para o bom e velho “chuveirinho” na hora do aperto. Jogador do Real Sociedad, William José poderia ter figurado, por exemplo. O mesmo é válido para Fabinho, ex-Mônaco e recentemente contratado pelo Liverpool. Lateral-direito de origem, atualmente joga como volante. Além da versatilidade, é melhor meio-campista que Fernandinho. Triste ironia! As camisas 2 e 5 foram “problemas cruciais” na Copa 2018.

Copa 2022

Outra lacuna no elenco foi o ritmista (segundo volante, médio-apoiador) e o meia tradicional. Arthur do Grêmio esteve cotado, mas a sequência de lesões o tiraram da Rússia. Formado no Bahia, Anderson Talisca, hoje no Besiktas da Turquia, também poderia ter ajudado. São todos nomes já visando a renovação GRADATIVA rumo ao Catar. Acrescente-se Malcon do Bordeaux, Paulinho ex-Vasco, David Neres do Ajax, Paquetá do Flamengo, Vinícius Jr. do Real Madrid (ex-Mengão) etc… São todos valores promissores que merecem a observação. Mas é aquilo: muita calma nesta hora…

Gradativamente

Futebol requer tempo, insistência, repetição e rotina. O Brasil tem uma extraordinária base visando 2022. Para os próximos desafios, como a Copa América no ano que vem no Brasil, é fundamental que a renovação ocorra aos poucos. Por exemplo, Thiago Silva e Miranda, destaques na Rússia, precisam e merecem seguir convocados! Seleção também é lugar para os melhores no momento.

 

Fotos: Lucas Figueiredo/ CBF oficial e Lucas Uebel/ Grêmio oficial

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