Mudança tática, Tite e “vestiário” colocam o Brasil nas quartas de final

Titês

Poucas situações ilustram tanto a excelência de um treinador quanto o intervalo de 15 minutos! É o momento para corrigir equívocos, mudar o cenário se for preciso e potencializar as virtudes. Foi justamente o que fizera Tite contra o México. Após um grande primeiro tempo do adversário, o comandante “ganhou o jogo” no vestiário. O Brasil voltou com outra postura: mais aceso e, sobretudo, com mobilidade ofensiva e variações táticas.

Resumo da ópera

Finalmente, a seleção colocou em prática um dos mantras do treinador: “É o coletivo que potencializa o individual”. Que o digam as jornadas de William e Neymar. A mudança para o 4-2-2-2 “clássico”, legou mais liberdade a Neymar, tirou o encaixe da marcação em Coutinho e aumentou a robustez defensiva da meia-cancha, com o recuo de Paulinho. Corrigiu os dois problemas gritantes até então: o espaço no meio-campo na fase defensiva e a falta de articulação, fazendo de William o protagonista da transição, mesmo que pelo lado.

Repertório

Futebol mais do que nunca é a “arte de encontrar” espaços. A variação tática cumpre justamente este papel, principalmente, ao criar superioridade nos setores. O Brasil iniciou no 4-1-4-1, passou pro 4-2-3-1, pro 4-2-2-2 e terminou com linha de cinco, no ingresso de Marquinhos. Aconteça o que acontecer, Tite colocou o Brasil na Era dos desafios e oportunidades do futebol contemporâneo. Bem-vindos ao Século 21. No 4-2-2-2 “titular”, o Brasil passou a se defender com William, Paulinho, Casemiro e Coutinho alinhados. Neymar e Jesus à frente.

Mobilidade

Há tempos batíamos na mesma tecla: independente da formação tática é fundamental que os homens de frente troquem de função pra bagunçar as linhas do adversário. Assim nasceu o primeiro gol, com Neymar no meio, William na esquerda e Neymar complementando o cruzamento como camisa 9. Com Firmino na vaga de Gabriel Jesus, por exemplo, o cenário ficaria ainda mais propício para a imprevisibilidade. Jesus na reta final contra o México foi extrema, liberando o camisa 10 das tarefas mais pesadas de recomposição.

Alerta

O primeiro tempo do México foi de altíssimo nível. O time de Osório adiantou a marcação, tirou a saída de jogo do Brasil, encaixou a marcação de Guardado e Herrera em Paulinho e Coutinho e fez do lado-direito uma avenida às costas de Fagner. Contra a Bélgica, todo o cuidado é pouco! É por esse setor que jogam Carrasco (ou Chadli) e, sobretudo, Hazard. Danilo talvez garantisse mais segurança defensiva. Ou até mesmo Marquinhos na camisa 2.

13° jogador

O time que terminou deve ser mantido! Porém, o Brasil ainda pode sofrer pela falta de articulação. Principalmente pela ausência de Casemiro frente a Bélgica e se Marcelo não retornar. Ainda existe espaço para Fred ou Renato Augusto, nem que seja como opção ao longo dos jogos para valorizar a posse e manter o controle.

 

Fotos: Lucas Figueiredo/CBF e CBF arquivo/oficial

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