Alemanha de Löw e o vexame “bossa nova”

Evolução

Se em 2014 os germânicos praticavam um futebol dinâmico, equilibrado e disposto num entusiasta 4-2-3-1, em 2018 a seleção pecou pela “burocracia”. Faltou principalmente “poder de decisão” e objetividade na peça ofensiva. A renovação do elenco com decréscimo de qualidade, a convocação com “jogadores mais do mesmo” e a pouca inspiração de algumas referências do time ajudam a justificar o vexame. Entretanto, o principal problema abrigou-se na falta de postura e na famigerada “zona de conforto” – já que a base era praticamente a mesma do Tetra em 2014.

Resumo da ópera

As tradicionais virtudes do futebol alemão como fibra e força tiveram o acréscimo da qualidade técnica após a Copa de 2002. As categorias de base do selecionado passaram a valorizar a posse de bola, o jogo apoiado e o controle de jogo. A colheita foi pródiga, com títulos, voltas olímpicas e taças no armário, tendo a Copa de 2014 como expressão máxima! Todavia, mais difícil que chegar ao topo é manter-se nele!  Por maiores que sejam as virtudes técnicas, futebol é essencialmente a “arte do suor”. A lanterna num grupo composto, ainda, por México, Coréia do Sul e Suécia é ilustrativa!

Bossa Nova

Khedira, Rudy, Gundogan e Goretzka, por exemplo! No papel são todos jogadores que desempenham funções semelhantes e vocacionadas mais para a peça defensiva. A ausência de Leroy Sané, ponta do Manchester City, revelou uma imbecilidade sem precedentes de Joachim Löw. Seria uma alternativa de drible, velocidade, improviso e vitória pessoal. Certa feita ouvi uma “máxima” que trago para o debate. A Alemanha é bossa nova e Sané seria um toque imprescindível de heavy metal.

Camisa 9

Tino Werner é talentoso e promissor, mas sentiu a “responsa” de substituir o maior artilheiro da história das Copas, Klose. Por características, também rende melhor como segundo avante: foi assim que teve a melhor jornada contra a Suécia. Erro de Löw que insistiu com o “equívoco”, transformando a convicção em teimosia. Müller como falso 9 ou Mário Gomez desde o início seriam alternativas.

Renovação

Na camisa 2 outro cenário caótico: Kimmich teve a missão de substituir Philipp Lahm, um dos melhores laterais de todos os tempos. Rudy poderia ter aparecido na função! Autor de dois gols no “fatídico” 7 a 1, André Schürrle poderia estar entre os 23 pela experiência. Em que pese a fase nada boa no Borússia Dortmund. Para Schweisteiger igualmente não houve substituto à altura.

Exemplos

França, Argentina e Uruguai igualmente jogaram pouco na fase de grupos. Todavia, os treinadores mudaram o time tanto tática quanto individualmente. Joachim Löw sucumbiu pela falta de repertório e pela previsibilidade da ação coletiva. Aliás, inadmissível Mario Gomez estar em campo e a seleção seguir cruzando pelo chão! Mais uma prova de que faltou “plano B” na estratégia germânica. Após a derrota para o México na estreia, o treinador alterou a equipe em quatro posições nominalmente. Na derrota para a Coréia do Sul, nova escalação, mas sempre ancorada no 4-2-3-1.

Vídeo game

Aquilo que se dizia da geração Belga, por exemplo, se encaixa perfeitamente aos astros do selecionado alemão na Copa 2018: Müller, Reus, Özil e Draxler, que deveriam chamar a responsabilidade, caíram no “acadelamento”. Resta, agora, o protagonismo no futebol digital. Pelos próximos longos e árduos quatro anos. Menção honrosa ao jovem Julian Brandt, do Bayer Leverkusen. Em terra de “jogadores virtudes”, o camisa 20 foi uma gloriosa exceção.

 

Fotos: Federação Alemã de Futebol/oficial

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