Bélgica & Colômbia e a “geração videogame”?

Deu zebra!

Bulgária de 94, Croácia de 98, Turquia de 2002. A Copa do Mundo sempre foi pródiga no “desfile das zebras”. Em 2018, na Rússia, Bélgica e Colômbia estão jogando o fino da bola e se credenciam ao fator surpresa da competição. Com jogadores famosos e estruturas táticas que potencializam as individualidades, a dupla vem calando os críticos e/ou desinformados. São duas estruturas com vocação ofensiva, que praticam o Futebol Além do Resultado que gera resultado! E mais: comprovam a cada jornada que são muito mais do que “modinha de vídeo game”.

Belgium

Liderada pela ascendência técnica do capitão Hazard, pela criatividade de Kevin De Bruyne e pela letalidade de Lukaku, a Bélgica pratica o melhor futebol da Copa do Mundo até agora. Méritos do treinador espanhol Roberto Martínez e sua estrutura disposta no 3-4-3 que varia para linha de cinco na fase defensiva. Aliás, guardadas todas as proporções da galáxia, num aspecto o selecionado lembra o Brasil de 70 sob a batuta de Zagallo. O treinador escalou os melhores. É a tática a serviço das individualidades!

Mais que 11

A Bélgica conta com peças de reposição de grande qualidade, sobretudo para a formatação do ataque. Todavia, Nainggolan poderia perfeitamente ter figurado entre os convocados. Com o volante/meia da Roma, Os Diabos Vermelhos teriam a opção de variar a estrutura tática, legando mais liberdade para Kevin De Bruyne, numa variação para 4-2-2-2, por exemplo.

Artigo raro

No futebol contemporâneo, marcado por pouco espaço e a necessidade de movimentação, centroavante à moda antiga só joga se for diferenciado. Eis o caso de Romelu Lukaku, do United. Força física, explosão, bola alta, e conclusão precisa com ambas as pernas, apesar de ser canhoto. Lukaku tem a cara da Bélgica na Copa da Rússia: um coadjuvante preparado para “roubar a cena” do Planeta Bola!

Arte competitiva

Higuita, Rincón, Valderrama e cia. A talentosa geração dos anos 90 é inspiração técnica para o atual selecionado liderado por James Rodriguez. Com o argentino José Pekérman, porém, a seleção ganhou doses cavalares de “seriedade competitiva” disposta no 4-2-3-1. Na estreia contra o Japão, o time jogou com um a menos quase 90 minutos, suportou, buscou o empate, mas acabou suplantado na bola parada. No 11 contra 11 contra a Polônia, Los Cafeteros transformaram a “pressão” em uma jornada sublime, tendo Juan Cuadrado como expressão máxima.

Responsabilidade

Artilheiro da Copa 2014, o meia James Rodriguez parece talhado para Copa do Mundo. O que jogou contra a Polônia também não está no gibi. Embora renda mais jogando aberto à direita ou centralizado, o camisa 10 foi escalado na extrema-esquerda. Não usou a “tática” como desculpa, flutuou por todo o setor de articulação e colocou o jogo no bolso.

Santo “improviso”

Talvez a única “chaga” da seleção da Colômbia seja a falta de um ponta-esquerda inquestionável. Méritos a Pekérman, que ao escalar James na função, consagra a regra número 1 do futebol: colocar em campo os melhores! Desta feita, Cuadrado permanece à direita e Juan Quintero, outro destaque do elenco, segue atuando centralizado. No comando de ataque, Falcão Garcia.

 

Fotos: Federação Colombiana de Futebol/oficial, Federação Belga de Futebol/oficial e reprodução

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