Brasil e o triunfo do “Futebol Além do Resultado”

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Futebol nunca foi e jamais será um ato de justiça! Contra a Costa Rica, porém, a vitória da seleção brasileira foi justa, meritória e refletiu a superioridade da equipe ao longo de todo o segundo tempo. Ao contrário da estreia, desta feita Tite mexeu bem, foi cirúrgico, ousado e determinante para o triunfo. Mesmo que os gols tenham “nascido” somente no apagar das luzes, os últimos 45 minutos foram de uma ação coletiva que justifica o sonho do Hexa e tem como principal virtude a prática do “Futebol Além do Resultado” que gera resultado!

Fome

Vitória pessoal, drible e velocidade! Douglas Costa foi o legítimo “toque” sul-americano que faltava a seleção. Com o camisa 7, o Brasil passou a ter a imprevisibilidade na peça ofensiva. E mais: ampliou o repertório da equipe, até então, refém do setor canhoto. O ex-gremista colocou o lado direito no “mapa de calor” da seleção, algo inexistente desde a lesão de Daniel Alves e as jornadas burocráticas de William. Contra a Sérvia, é DC + 10!

Leitura

Contra linhas compactas e com nove jogadores atrás da linha da bola, Tite mandou a campo praticamente cinco atacantes dispostos no 4-1-4-1: Coutinho e Firmino por dentro, Neymar e Costa pelos flancos, com Gabriel Jesus na referência. A mudança tática, conjugada com a postura mais agressiva da etapa final, consumaram a vitória. Faltou, porém, mais arremates de fora da área.

Correção

A presença de “cinco atacantes” é uma mecânica somente emergencial. O time de Tite segue carente de articulação, do “tal ritmista”. Paulinho, Coutinho, William e Neymar são jogadores principalmente de infiltração, ainda falta um “pensador”. O ingresso de Renato Augusto ou do ex-colorado Fred na vaga de Paulinho pode amenizar o impasse. Desta feita, o time migraria para o 4-2-3-1. Casemiro e Fred numa primeira linha, com Douglas Costa, Coutinho e Neymar à frente deles!

Devaneio?

Gostaria muito de ver Marcelo na meia-cancha. Como não houve tempo para “testes”, é fundamental que o camisa 12 repita as atuações do segundo tempo, quando foi fundamental para a articulação ofensiva da equipe, mesmo atuando na função que já foi de Nilton Santos, Júnior e Roberto Carlos.

Previsível

Novamente a movimentação do ataque, sobretudo no primeiro tempo, foi previsível. William à direita, Neymar no flanco oposto e Coutinho flutuando entre a meia-esquerda e o centro. É fundamental que os homens da frente troquem de posição para bagunçar a defesa rival. Principalmente nos casos de Coutinho e Neymar.

Penalidade

Não achei o contato do defensor da Costa Rica, em Neymar, como ato faltoso. Entretanto, é preciso “separar as coisas”. Se a arbitragem não assinalou a possível infração por causa da “dramatização” do camisa 10, é um erro absurdo.

Camisa 10

A ciência ajuda a explicar! Um jogador de futebol que volta de lesão após quatro meses parado, carece de no mínimo cinco jogos para retomar a plenitude. Contra a Costa Rica, Neymar jogou apenas a sua terceira partida completa. A falta de ritmo é visível, mas é inegável que nas duas partidas jamais faltou “brio, vontade e sangue no olho” do craque brasileiro. Algo que não podemos dizer do extraterrestre Lionel Messi, por exemplo! Aliás, foi o 56° de Neymar com a camiseta brasileira, igualando-se a Romário como quarto maior goleador da história da “seleça”.

Castigo?

Seria insanidade pensar que a Costa Rica atacaria o Brasil. Mas no segundo tempo a equipe abusou do “direito de sofrer”. Se no primeiro tempo o time foi “reativo” e quase abriu o marcador em conclusão de Borges, na etapa final foi castigado por exercer apenas a “retranca”. Aliás, a presença de Bolaños e Campbell no banco ilustram que o time entrou em campo apenas com o intuito de “destruir”.

Bobo!!!

A evolução no preparo físico, o boom da tecnologia que permite que “todos saibam tudo sobre todos” e o investimento no repertório tático, principalmente na peça defensiva. Eis algumas razões que justificam a célebre frase: “Não existe mais bobo no futebol”. A Copa da Rússia é ilustrativa!!!

Extracampo

Com a vitória a tendência é que as “pernas” pesem menos na terceira partida. Com o emocional em dia, a confiança aumenta, o coletivo encaixa e as individualidades aparecem. Tomara que o triunfo contra a Costa Rica seja um divisor para a seleção brasileira. Poucas vezes o Brasil chegou tão bem preparado a uma Copa do Mundo como agora! EU ACREDITO!!!

 

Fotos: Lucas Figueiredo/CBF e CBF arquivo

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