Brasil e a “contradição histórica” na Copa da Rússia

Futebol raiz

Após o fatídico 7 a 1, muitos condenaram o futebol brasileiro ao fracasso definitivo. “A geração é muito ruim”, diziam. Os resultados e atuações da Era Dunga deram razão aos profetas do apocalipse. Com Tite, porém, a mutação foi da água para o vinho. A seleção voltou a ter uma ação coletiva e passou a exercer conceitos dignos dos desafios do futebol contemporâneo. Na estreia contra a Suiça, porém, faltou o futebol brasileiro “raiz”, o DNA tipicamente sul-americano. Fomos essencialmente táticos. Não houve drible, improviso, vitória pessoal, nosso sistema ofensivo caiu no pecado da burocracia. Eis o Brasil e sua “contradição histórica” na estreia da Copa do Mundo 2018.

Mobilidade

Acredito que a escalação que iniciou a partida seja a melhor possível. Entretanto, faltou mobilidade e trocas de posição entre os homens da frente. William passou 90 minutos rente à linha direita. Coutinho foi meia o tempo inteiro. Neymar flutuou, mas sempre entre o meio e a extrema esquerda. O camisa 10, por vezes, abusou da individualidade, embora mereça elogios por não ter se omitido. Falta ritmo, recém voltou de lesão. É fundamental que os demais avantes também chamem a responsabilidade. Tal qual fizera Coutinho no belíssimo gol que abriu o placar!

Camisa 9

Há tempos Gabriel Jesus é titular apenas no “carteiraço”. Roberto Firmino vive melhor fase e justifica a presença entre os 11. Com o camisa 20, o comando ofensivo ganharia mais mobilidade e legaria mais espaço para a infiltração dos meias.

4-2-3-1

Irmão do 4-1-4-1, Tite pode variar o sistema para liberar ainda mais Neymar. Neste cenário, William e Coutinho fariam a recomposição pelos lados na fase defensiva. A mudança tática durante os jogos cumpre o papel, entre outros, de surpreender o adversário, criando superioridade nos setores.

Extracampo

É impossível não detectar a “ansiedade” pela estreia e a “perna pesada”, principalmente após o gol de empate. O gol irregular da Suiça, sonegado pela arbitragem de campo e de vídeo também ajudam a explicar o resultado. No quesito desempenho, porém, Tite foi infeliz nas alterações: “trocou seis por meia dúzia”. Faltou ousadia ao comandante!

Mudanças

A troca de Casemiro por Fernandinho até pode se justificar pelo cartão amarelo do titular. Mas… Por que não segurar Paulinho e Coutinho e promover o ingresso de Douglas Costa? Seria um ponta agudo, veloz, driblador para os minutos finais. Ou então, William na lateral na vaga de Danilo? Enfim… Já o ingresso de Renato Augusto foi a tentativa de suprir o principal “calcanhar de aquiles” do elenco: a falta de um articulador que mantenha o controle de jogo e exerça a “paciência” na meia-cancha.

 

Fotos: Confederação Brasileira de Futebol – CBF/oficial

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