Grêmio de Renato e a “consagração” da teimosia

Lições

O Grêmio atual é uma instituição afortunada. Não apenas pelos títulos recentes, mas, sobretudo, pela graça de contar com o maior ídolo da história na casamata como treinador. Entretanto, os dois gols no Mundial e a “predestinação” de recolocar o tricolor no caminho das grandes taças não fazem de Renato dono da verdade absoluta, tampouco, infalível e incontestável. Há tempos ele peca por ignorar as “lições do campo”. Menos mal que os resultados e, principalmente, a força coletiva, têm amenizado as teimosias de Portalupi.

Vitória

Contra o Ceará os três pontos vieram por obra e graça de Éverton, em belíssima arrancada e primorosa assistência para Tony Anderson. Ou seja, o mérito individual acabou suplantando a “salada de frutas” que o treinador mandou a campo na escalação. A presença de Cícero como meia centralizado e, depois como centroavante, ilustra o quanto Renato precisa rever algumas de suas repetidas e falidas “convicções”.

Ajuste

Além da brilhatura de Éverton, o gol do triunfo surgiu justamente quando o time esteva equilibrado e com “cada um no seu quadrado”. Cícero como segundo volante, Lima e Éverton pelos flancos, Thaciano como meia e Tony Anderson como falso 9, atuando por dentro. Tomara que Renato mantenha a obviedade! Aliás, o único lugar que Cícero pode e deve atuar — na impossibilidade de Arthur — é como segundo homem.

CEBOLAdependência

Dias atrás escrevemos pitaco com o título de CEBOLAdependência. É inegável o papel do camisa 11 no protagonismo ofensivo da equipe, com dribles, arrancadas, tabelamento e, sobretudo, gols. Cebolinha é a cereja do bolo em 2018. Sem ele, o Grêmio deixa de ser show e se aproxima da geleia geral que marca o futebol brasileiro na atualidade.

Lembrança

No passado recente, as lesões ajudaram Renato a encaixar o time e o impediram de seguir com “algumas convicções”. Cortez era banco de Marcelo Oliveira e Arthur não era titular até a lesão de Maicon — conforme o professor, o guri seria meia para jogar centralizado. Renato também insistiu com Luan pelos flancos, quando o camisa 7 não tem velocidade e intensidade para ocupar a função. Com a lesão de Douglas, Luan firmou-se centralizado, atrás do centroavante, e acabou sendo eleito “Rei da América”.

Repertório

Outra tecla que “batemos” é a necessidade de repertório tático. A equipe é bitolada e refém do 4-2-3-1. Futebol mais do que nunca é a arte de encontrar espaços e a mudança tática em meio aos jogos pode ajudar bastante. Principalmente para superar sistemas defensivos bem postados, como ocorreu no Gre-Nal e contra o Paraná. A mudança tática pode, inclusive, amenizar as ausências de titulares importantes.

Resumo da ópera

Diante da cultura no futebol nacional, achamos prudente fazer algumas críticas pontuais após uma vitória. É fundamental enxergamos o Futebol Além do Resultado para que, de fato, gere resultado. No caso do Grêmio, para que continue gerando resultado, títulos, voltas olímpicas e taças no armário. Afinal, mais difícil que chegar ao topo é manter-se nele.

 

Fotos: Lucas Uebel/Grêmio oficial

1 Comentário

  1. Jucelino Dos Santos 29 de maio de 2018 Reply

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