Inter e o campeonato “possível” em 2018

Sobrevivência

A vitória de 3 a 0 sobre a Chapecoense no Beira-Rio cumpriu um desafio crucial: trazer um pouco de leveza, nem que seja mínima, ao cotidiano do Internacional. Com os três pontos, o time de Odair subiu para a 10ª colocação, o que ilustra melhor a performance colorada no Brasileirão 2018 e acalenta um pouco a esperança alvirrubra por dias melhores. Mais do que isso: o triunfo segue à risca o desafio do Inter em busca do melhor campeonato “possível” nesta temporada. Degrau por degrau, ponto por ponto, tijolo por tijolo. Vencer os mais frágeis é mais que obrigação, é exercício de sobrevivência.

Resumo da ópera

Nas primeiras rodadas do campeonato, o time de Odair enfrentou as melhores equipes do país, o que talvez tenha criado uma sensação de que o “bicho era mais feio do que de fato é”. Contra equipes de potencial semelhante ou inferiores, a tendência é que o rendimento colorado mostre evolução. Aliás, não acho nenhum exagero colocar o Inter como um dos postulantes, no mínimo, à pré-Libertadores do ano que vem, principalmente se tivermos “trocentas vagas”. Domingo será uma interessante prova de fogo contra o Corinthians…

Camisa 10

Sem D’Alessandro, novamente lesionado, Odair optou pelo 4-1-4-1 tendo Patrick e Edenílson por dentro, com Lucca e Pottker pelos flancos. A presença dos três marcadores, na teoria, garantiria mais liberdade para o trio de atacantes. Entretanto, os pontas precisariam participar mais da articulação. Não foi o que aconteceu. A saída de jogo do Inter, que já é traumática, ficou ainda mais frágil sem o camisa 10. Quando ingressou na equipe, Juan Alano contra a Chape não deu conta do recado. Em tempo: Camilo deve ter recebido alguma punição pela entrada criminosa em D’Alessandro no treinamento, não!!!??? Eis o porquê é tão necessária a presença de uma voz mais forte no vestiário. Será a de Rodrigo Caetano????

Carteiraço

Embora tenha sido coautor do primeiro gol, Damião ainda sofre pela falta de ritmo. O mesmo ocorre com William Pottker. Aliás, não seria nenhuma surpresa se apenas um deles aparecer na equipe titular, no comando de ataque, contra o Corinthians. Na extrema direita, Rossi seria alternativa. Em outro cenário, uma migração para o losango ou “árvore de natal” (4-3-2-1) também surgem como opção, com Dourado recuado, Edenílson e Patrick numa segunda linha, com D’Ale e Lucca e mais um avante.

Pelos flancos

Campeão Olímpico, Zeca foi contratado para ser titular. Tecnicamente é o melhor lateral à disposição. Entretanto, Fabiano não deveria ter deixado a equipe pelo simples critério da meritocracia. Aliás, o camisa 18 era um dos esteios da evolução defensiva da equipe. No lado oposto, o jovem Iago, revelação do campeonato gaúcho, sentiu a “mudança de patamar” no Brasileirão. Zeca poderia perfeitamente figurar na camisa 6. Ao menos valeria testes nos treinamentos. Detalhe: não seria improvisação, pelo contrário. Foi justamente nesta função que o camisa 37 chamou a atenção do país quando atuava pelo Santos na Vila mais famosa do Mundo.

Casamento

Antes tarde do que nunca! Rodrigo Moledo e Victor Cuesta acabaram com a sangria defensiva. Com características complementares, a dupla é uma das afirmações da equipe na temporada. Suspenso pelo terceiro amarelo, a ausência de Cuesta é quase calamitosa. O substituto deverá ser Klaus, o que fatalmente trocará Moledo de lado. Embora atue pela esquerda, Thales me parece “verde” para o tamanho da peleja.

Robustez

Por essas e outras, a migração de Zeca para a esquerda precisaria esperar um pouco mais. Seria temerário alterar o sistema defensivo em duas peças numa tacada só. Aliás, escalaria Fabiano na direita justamente para amenizar os prejuízos no miolo de zaga. Com isso, Zeca esperaria.

Projeção

O Corinthians de Fabio Carille é essencialmente reativo: bem postado defensivamente e com contragolpe letal. Mais do que nunca, o drible, conclusões de fora da área e a bola parada devem ser exploradas. Eis o porquê o colorado deve ter Lucca e + 10. Além do gol que abriu a vitória, o camisa 19 tem sido um sopro de qualidade em meio a um sistema ofensivo carente, composto por jogadores sem ritmo e que amargava 540 minutos sem estufar as redes.

Escalação

Em tom pitaqueiro, “meu” Inter para domingo teria: Danilo; Fabiano, Klaus, Moledo e Iago; Dourado; Edenílson, Patrick, D’Alessandro e Lucca; Damião. No plano tático seria 4-3-2-1 com migração defensiva para o 4-1-4-1. Com três marcadores e Fabiano, D’Ale poderia atuar à direita, com liberdade de movimentação com a bola e sem “maiores responsabilidades” na recomposição. Se o capitão não puder atuar, optaria por Nico López.

 

Fotos: Internacional oficial/ Ricardo Duarte

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