Grêmio e o “afago na alma” rumo ao Tetra da América

Referência

O Grêmio atual é um afago na alma de quem gosta de futebol. De bom futebol, é claro! Mais do que isso, o tricolor é o protótipo de sucesso na arte de chutar a bola, servindo de referência para os coirmãos da América Sulista, dentro e fora de campo. No velho conflito Futebol Arte x Futebol de Resultado, o time de Renato surfa solenemente na “coluna do meio”. É uma equipe que pratica futebol com caráter lúdico, com ação coletiva que, por vezes encanta, como na goleada sobre o Cerro Porteño na Arena (5 x 0), mas sem deixar de ser competitivo.

Resumo da ópera

Ao contrário do que normalmente ocorre após um grande título como a Libertadores, por exemplo, o Grêmio mantem a corda esticada, rechaça a “zona de conforto” e segue evoluindo para continuar fazendo história. Neste quesito os méritos de Renato são escancarados. Mais difícil de chegar ao topo é manter-se nele. O tricolor está enfrentando o desafio com louvores!

Processos

Futebol vitorioso requer planejamento, ação e tempo. O presidente Romildo Bolzan Jr. é o maior artífice da fortuna tricolor. A unificação política do clube é outro fator fundamental para o sucesso. Dentro de campo, o conceito de futebol e as estruturas táticas implantadas por Roger Machado ganharam a intensidade, as correções e a objetividade de Renato. No quesito individualidades, a equipe possui base de seleção, com destaque para a dupla de zagueiros e de volantes que jogariam em qualquer time do continente. Definitivamente, futebol não se faz do dia para a noite!

Palhaçada

Sem Douglas, o Grêmio joga sem camisa 10. Calma lá! O papel que desempenham Maicon e Arthur revela o que tem de mais moderno na arte de chutar a bola. Com a dupla a armação começa junto aos zagueiros, a transição ocorre no compasso de uma orquestra, o time detém a bola e dita o ritmo e o controle do jogo. Aliás, Maicon tem jogado tanto que Arthur, pasmem, virou coadjuvante de luxo do capitão. No bom sentido, é claro!

Equilíbrio

Nem ofensivo, nem defensivo. O Grêmio de Renato é a prova de que futebol requer equilíbrio. Na defesa, o time leva “300 anos” pra sofrer um gol, tanto que Marcelo Grohe acaba de bater o próprio recorde de tempo sem buscar a gorducha no barbante. O sistema defensivo é tão pródigo, que nem a fragilidade das laterais faz o time sucumbir. Pedro Geromel e Kannemann é um casamento raro e transbordante. Até que a Europa os separem. Tomara que demore! Outro mérito é a blitz após a perda da bola: a ordem é recuperá-la o quanto antes. Mais ou menos um dos mantras que conduzem trabalho de Guardiola: pressão na bola!

Encaixe

É o coletivo que potencializa o individual. Eis o porquê Ramiro, Jael e o oscilante Luan cresceram assustadoramente de produção. Éverton é a cereja do bolo. Implacável e letal, o camisa 11 é o tão necessário “fazedor de gols”, corrigindo antiga carência da equipe. O centroavante Jael, embora suas fragilidades de sempre, garante profundidade à equipe, prendendo a atenção dos zagueiros e dando liberdade para o trabalho da linha de meias. Com André, o que é bom tende a ficar melhor ainda pelo potencial técnico superior do camisa 90.

Reforços

As laterais ainda carecem de reposição, sobretudo a camisa 2. Aos 40 anos, Léo Moura consegue jogar somente de 15 em 15 dias. Outra necessidade é um zagueiro reserva capaz de pelo menos amenizar as ausências circunstanciais de Geromel e Kannemann. Na Liberta 2016, por exemplo, o tricolor foi obrigado a enfrentar o Rosário Central, em Porto Alegre, com uma dupla composta por Fred e Bressan. Testar alternativas ao 4-2-3-1 e amenizar os “bruxismos” — como Cícero de camisa 10 — são desafios de Portalupi, entre outros.

83, 95 ou 2017?

O Grêmio atual encanta, mas comparações com época distintas sempre são perigosas. O contexto vale ouro! Em 1983 e em 1995, o Grêmio chegou ao topo das Américas enfrentando times de mais camiseta e reconhecida “bola” na época. Outra dificuldade extra aos primeiros campeões era a concorrência. Hoje, não vejo ninguém jogando o que o Grêmio joga! Tanto que o tricolor é com total justiça, favoritaço ao Tetra da maior das Américas. Se for pra responder, hoje ainda fico com o time de 1995, embora o Grêmio atual seja a expressão máxima do Futebol Além do Resultado que gera resultado.

 

Fotos: Lucas Uebel / Grêmio oficial

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