Grêmio: Renato (às vezes) abusa do direito de ser Renato

Empate

Antes da partida contra o Cerro Poteño, o zagueiro Walter Kanemann previu, mais ou menos assim: “Vamos tentar fazer nosso jogo, controlar a bola. Se não der, vamos marcar e tentar levar um ponto para casa”. Foi justamente o que ocorreu. O Grêmio de encher os olhos não desembarcou no Paraguai, abusou da ligação direta, sofreu pelo “jogo físico” do adversário e acusou a falta de Luan, Maicon e Léo Moura. Mais do que isso: Renato novamente não conseguiu amenizar as ausências através da tática, pelo contrário. Novamente mostrou-se refém e bitolado ao 4-2-3-1.

Resumo da ópera

Somente um personagem com a envergadura de Renato Portalupi poderia insistir com Cícero como meia centralizado. Somente o autor dos dois gols do título mais importante da história do clube pode bancar a manutenção de um mesmo esquema tático sem a presença de titulares cruciais. Somente o treinador predestinado a retirar o tricolor do jejum de 15 anos sem títulos de expressão pode se dar ao luxo ignorar as lições do campo repetidas vezes sem provocar a “ira” dos apaixonados torcedores e dos atentos cronistas esportivos.

Desafio

Entretanto, seria prudente que Renato não abusasse tanto do direito de ser Renato. Afinal, mais difícil que chegar ao topo é manter-se nele. O tricolor segue formatado para o sucesso. Basta corrigir alguns detalhes, entre eles, que o treinador reveja suas teimosias e invista um pouco mais em alternativas táticas. Elas são como os recentes títulos da equipe, nunca serão demais! Um lateral-direito em condições de titularidade também chegaria em ótima hora.

Alternativas

O treinador teria várias opções individuais e táticas para, no mínimo, amenizar a ausência de Luan. A primeira delas seria o ingresso puro e simples de Tony Anderson. No entanto, vejo no ‘canhota’ características de um atacante que atua no último terço e não na zona de articulação, entre linhas, como Luan. Desta feita, o maior equívoco não foi a presença de Cícero, mas sim, o posicionamento do camisa 10.

Controle

Sem Luan e Maicon, era previsto que o Grêmio teria sérias dificuldades para sair jogando. A ausência da dupla reduziu, inclusive, o potencial do selecionável Arthur. Se tivesse recuado Cícero e migrado o time para uma espécie de 4-1-4-1, o Grêmio poderia ter mais controle de bola. E o principal: o esquema é “primo-irmão” do 4-2-3-1 e Renato já utilizou algumas vezes. Não seria nenhuma novidade!

Ousadia

Se adotasse o 4-1-4-1, Renato poderia ter começado com Alisson no corredor direito, por exemplo. Com isso, Ramiro faria trinca com Jaílson e Arthur “por dentro”. Neste cenário o tricolor não perderia o poder ofensivo temido na teoria. Em tempo: listamos apenas alguns cenários que servem de alternativa. Cícero ou joga de volante ou é banco. Simples assim!

Liderança

O empate contra o Cerro Porteño em Asunción foi um precioso resultado. Basta ao tricolor exercer o favoritismo e o fator local na próxima rodada que assumirá a liderança do grupo. O time de Renato alcançou um nível de tamanha excelência, que hoje lamentamos uma não vitória fora de casa. Boa sorte à nação de três cores rumo ao inédito tetracampeonato da Libertadores para o futebol brasileiro.

Fotos: Lucas Uebel/ Grêmio oficial

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