Entre a necessidade e a obviedade, mudança tática eleva potencial do Inter

Pé direito

Não acho o time e o elenco do Internacional tão “desgraçados” quanto às vezes aparenta. Principalmente se compararmos com a maioria dos postulantes. A vitória de 2 a 0 sobre o Bahia é um interessante ponto de partida. Existem boas opções no elenco, principalmente, para a composição do ataque. O desafio de Odair Hellmann entre outros, está na efetivação de uma estrutura tática capaz de amenizar as fragilidades e elevar as ações individuais. O 4-2-3-1 utilizado na estreia pode “dar samba”.

Óbvio x necessário

Após teimar com D’Alessandro pelo flanco, enfim Odair rendeu-se a obviedade de escalar o argentino na região central e sem grandes responsabilidades na recomposição. Com isso, Patrick herdou a tarefa de dobrar a marcação pelo corredor canhoto, aumentando a robustez do time. Com a bola não houve prejuízo, pelo contrário: o camisa 88 foi interessante opção de transição (saída de jogo) e chegada à frente, ilustrado pelo cruzamento/assistência no primeiro gol de Nico López.

4-2-3-1

Outro benefício da singela mudança de esquema do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 está na postura de Edenílson. Tendo Patrick como fiel da balança na marcação, o camisa 8 pode chegar um pouco mais à frente: foi dele a assistência para o segundo gol do uruguaio. Outra boa nova deu-se às linhas de marcação: mais próximas que nas últimas jornadas. Havíamos sugerido a mudança de esquema logo após o “calvário” contra o Vitória na primeira partida da Copa do Brasil vencida pelos alvirrubros por 2 a 1.

Último terço

Dentro de uma estrutura tática equilibrada, as individualidades se destacam. Novamente Moledo justificou o porquê Klaus virou reserva. No ataque, Nico López mostrou que pode colaborar pelo corredor, inclusive com o “trabalho sujo” sem a bola. No último terço, o uruguaio foi aquilo que quase sempre é: incisivo, vertical, definidor. O camisa 7 também atuou com naturalidade pelo flanco pois havia a imperiosa cobertura do lateral-direito Fabiano — ao contrário do primeiro dos três GreNais, por exemplo, quando Dudu na direita e Nico pela ponta deixaram uma avenida muito bem explorada pelo Grêmio.

Destaque

Patrick é visceral para o Inter. Combativo, eclético, multifuncional. É o legítimo “tiro na lua” em matéria de custo/benefício. Sem falar que dentro de campo oferta repertório tático ao treinador. Basta um assovio para a mudança de sistema.

Resumo ópera

Louvados sejam os três pontos! Para um clube em reconstrução, voltar à elite do futebol nacional com vitória é no mínimo um alento. Mais do que isso, vencer em casa, sobretudo os “não grandes”, é questão de sobrevivência para o Internacional no brasileirão 2018. Ou de manter vivo a chance de “algo” a mais na temporada.

Líder máximo

O precoce e repentino falecimento do jornalista Ricardo Vidarte, 58 anos, deixa a crônica gaúcha em transe. Certamente o jornalismo esportivo do Estado fica menos inteligente, perspicaz, polêmico, preciso e perde em exatidão e credibilidade. Que descanse em paz! Força aos colegas, amigos, ouvintes e telespectadores. Meus sinceros sentimentos.

 

Fotos: Ricardo Duarte/ Internacional oficial e reprodução Facebook

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