Grêmio “corrige foco”, exerce o favoritismo e amplia confiança para 2018

Revigorante

A distância do Grêmio para os demais times do campeonato foi tão grande que o tricolor transformou o “risco de rebaixamento” em título num estalar de dedos. Exageros à parte, o tricolor desfilou excelência e bom futebol quando foi preciso, exercendo o favoritismo de um legítimo Campeão da América em solo estadual. Mais do que isso: escreveu mais um interessante capítulo dentro da tarefa de renovar a sua grandeza através de títulos, voltas olímpicas e taças no armário. Há tempos eu digo: time grande que se preze precisa vencer tudo que disputa, inclusive o famigerado Gauchão. Parabéns à nação de três cores!!!!

Formatado

Dias atrás Renato disse mais ou menos assim numa coletiva: “Meu time está pegando gosto por erguer taças”. Foi o quarto troféu nos últimos 16 meses. Mais do que isso: o time joga junto no mesmo conceito de futebol e estrutura tática há três anos, tem base de seleção e está cada vez mais forte emocionalmente. Soma-se a isso as opções de qualidade do elenco, um treinador que “tem o grupo na mão” e…  bingo! O Grêmio está formatado para o sucesso!!! Tem tudo para seguir fazendo história. Quem sabe no brasileirão? Tudo é uma questão de manter o foco e a corda esticada. Nisso Renato tem sido impecável!

Lições do gaudério

Não existe vírgula capaz contestar o título gremista, mas sabemos que o Gauchão é pródigo principalmente em apontar o “que não deu certo”. Sendo assim, o time ainda carece de um lateral-direito ― talvez um esquerdo para grupo ― e de um zagueiro capaz de ser o ficha 1 para as eventuais ausências de Geromel e Kannemann. Ramiro na lateral-direita e Alisson no corredor foi a principal mudança feita por Renato ao longo das partidas. Que tal efetivá-la pelo menos até a chegada de um camisa 2???

Paradigma

Ademais, o Grêmio não precisa se “distanciar tanto das raízes”. Explico: quando for preciso lutar, pelear, jogar com a faca nos dentes, que o faça. Futebol nem sempre será apenas o exercício da técnica ― embora o tricolor novamente tenha sobrado nesse quesito.

Finalíssima

Dono da melhor campanha da fase de grupos, o Brasil de Pelotas teve jornada memorável sob comando de Clemer no Gauchão 2018. Até a polêmica expulsão de Éder Sciola na Arena, o Xavante suportava bem e mantinha vivo o sonho. No Bento Freitas, situação parecida: 11 contra 11 o rubro-negro jogava de igual pra igual e ameaça bastante a meta de Marcelo Grohe. Após a justa expulsão de Leandro Leite, porém, o Grêmio exerceu seu favoritismo com sobras. Se o tricolor já era esmagadoramente superior, imaginem em vantagem numérica. Os 7 a 0 na soma dos placares é ilustrativo!

Armação

O sucesso do futebol na atualidade passa, sobretudo, pela “arte de encontrar espaços”. Desta feita a presença de Maicon e Arthur facilitam a vida do Grêmio espantosamente. O índice de quase 100% de acerto de passes da dupla ilustra a importância do “camisa 10 recuado”. O papel deles é ainda mais sintomático havendo um meia-atacante na função que teoricamente seria de um armador: Luan. O Grêmio ganha duas vezes. Com Maicon e Arthur na transição e com o camisa 7 tendo liberdade para flutuar pelos flancos e encostar na referência.

Camisa 9

“Vocês estão criando um monstro”, disse Renato à imprensa, sobre Jael, em referência a dedicação do avante nos treinamentos. Contra o Brasil de Pelotas o camisa 9 fez sua melhor partida com o manto tricolor, mesmo que não tenha estudado as redes na derradeira partida de 3 a 0. Fez pivô, liderou contra-ataque, cavou a justa expulsão de Leandro Leite e legou ao time a essencial profundidade: prendendo a linha defensiva e garantindo mais liberdade para os três meias. Vindo do Sport, André é tecnicamente candidataço aos 11. Entretanto, é Cruel e + 10 na primeira fase da Libertadores! Em tempo: Tony Anderson é outra interessante alternativa para as funções centrais de ataque.

Foco corrigido

Era inconcebível um time da grandeza do Grêmio ficar quase oito anos sem conquistar um certame que, em regra, é disputado apenas por dois favoritos. Pior: inexplicável estar há quase três sem chegar sequer à final. Apesar de inúmeros torcedores e dirigentes fazerem “vistas grossas” para o campeonato, o presidente Romildo Bolzan Jr. deu mais uma lição de humildade, competência e de “correção de foco”. Afinal, como diria o saudoso cronista Cláudio Cabral, “pior que ganhar o Gauchão é perdê-lo”.

 

Fotos: Grêmio oficial/ Lucas Uebel

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