Inter “engole” Campeão da América e retoma tranquilidade para a reconstrução

Gre-Nal 415

Transpiração, aguerrimento, marcação forte e bola parada são instrumentos de sobrevivência quando se enfrenta adversários favoritos. Após incrivelmente negar a obviedade no segundo tempo da Arena, enfim, o Inter de Odair se impôs no Beira-Rio. Embora tenha iniciado a partida mal escalado e desequilibrado, não faltou valentia, organização e até loucura no final na busca da “missão impossível”. Faltou pouco!

Resumo da ópera

Na partida que seria apenas amistosa, o colorado fez dos 2 a 0 sobre o Campeão da América uma espécie de catapulta para 2018. Mais do que isso: o triunfo recupera um pouco a autoestima da nação alvirrubra e garante mais de tranquilidade para o longo e árduo trabalho de reconstrução do colorado. Para o Grêmio fica a lição: nem sempre será possível se impor somente pela qualidade técnica.

Exagero

O Grêmio exagerou na administração, “sentou” na vantagem e abusou do “direito de sofrer”. Até o pênalti de Bressan, a equipe trocava passes com tranquilidade, catimbava, gastava o tempo. Na etapa final, porém, “o não entrar em campo” quase colocou em risco a classificação. O Grêmio de Renato ignorou a lição do primeiro Gre-Nal no Beira-Rio na última fase de grupo quando mal passou do meio-campo na etapa final. Se equiparar-se na vontade, na luta, na entrega ― o que é fundamental na Libertadores, por exemplo ―, dificilmente o Grêmio perderá na “bola”.

Escalação

As ausências de Maicon e Arthur novamente deixaram o time sem saída de jogo, tal qual no Mundial de Clubes. Entretanto, Cícero poderia ter assumido a tarefa, mas sucumbiu. Aliás, não entendi o porquê o camisa 10 ficou preso liberando Jaílson para a transição. Não vejo erro de Renato em começar com Arthur no banco. O camisa 29 ainda carece de ritmo ― tanto que mal tocou na bola quando entrou em campo ―, o tricolor tinha a vantagem de 3 a 0 e a partida naturalmente seria “aguerrida”, o que sempre é um risco para um atleta recém voltado de lesão. Pergunta: quando Michel voltará a ser titular na cabeça da área? 

Justa causa

A escalação de Odair Hellmann seria “digna de justa causa”, ainda mais precisando golear o rival. Quatro volantes e apenas Nico López como jogador mais agudo seria aceitável na primeira partida na Arena, por exemplo. Menos mal que a “atitude e disposição” suplantaram o equívoco. Por maiores que sejam as fragilidades do elenco, havia no banco opções para deixar o Inter com mais cara de time de futebol. A lesão de Fabiano, no segundo tempo, corrigiu o desenho do Inter, com Edenílson migrando pra direita e o garoto Brenner ingressando na camisa 9. Em tempo: Patrick não “lotou o aeroporto”, mas dentro de campo justifica com méritos a contratação. Jogo após jogo!

Compensação azul

A ausência de Arthur poderia ser amenizada se Renato tivesse formatado o time para o contragolpe, ou no “modelo reativo” conforme o “futebolês” atual. Para tanto, Jael não deveria ter iniciado. A presença de Tony Anderson à frente, para tramar com Luan, poderia ter criado desequilíbrio e efeito cascata na bem postada marcação do Inter. Outra opção seria Alisson na extrema com Éverton de falso 9.

Ajuste crucial

Para evitar o simplismo de que o Inter venceu porque “teve mais vontade”, a mudança de posicionamento do time também ditou a evolução ao 4-1-4-1 da equipe. A presença de D’Alessandro na extrema direita, “abriu o campo” pro camisa 10 que dali flutuava para a região central e jogava às costas de Jaílson e Cícero, além de levar vantagem no mano mano com Cortez quando se travestia de ponta-direita. A presença de Fabiano na lateral não exigiu tanto do argentino na recomposição. Ontem sim o camisa 10 honrou a idolatria e a fama em clássicos. Não apenas pelo golaço de falta ― ala Jael ―, mas sobretudo, pela irresignação.

Tranquilidade letal

No final da partida, Odair escalou o Inter num esquizofrênico e compreensível 4-2-4. Faltou tranquilidade e frieza para o Grêmio matar o duelo. Na coletiva pós-jogo, Renato enalteceu a classificação e a ‘festa’ no estádio rival. Não deixa de estar certo. Mas dentro da ótica do futebol além do resultado, o Grêmio jogou apenas 52 minutos ― no segundo tempo da Arena. A cobrança é compatível com a capacidade do elenco que ostenta com justiça a nobreza do Tricampeonato da América. Se o clássico 414 foi Gre-Gre, o jogo 415 foi incrivelmente Nal-Nal!

 

Fotos: Ricardo Duarte/Internacional oficial e Lucas Uebel/Grêmio oficial

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