Grêmio entre a honra e a “submissão” no Mundial 2017

Choque de realidade

Os deuses da bola são implacáveis! O Grêmio não jogou futebol, sequer, para chegar à final do Mundial de Clubes. Contra o Pachuca, o tricolor não encontrou soluções sem Arthur e foi vencer somente na prorrogação, quando os mexicanos já não “tinham mais pernas”. Contra o Real Madrid, então, a diferença chegou a ser constrangedora. Entretanto, nada que apague o ano de destaque, meritório e histórico para o time de Renato Tricampeão da América. Voltando a Abu Dhabi, a nação de três cores tem mais um motivo para se orgulhar com o segundo lugar do Planeta Bola: o Grêmio fez como os mártires e os heróis: tombou com honra e grandeza!

Resumo da ópera

Mesmo que o jogo fosse quase “desleal” pela disparidade técnica, faltou uma dose extra de insanidade, de insubordinação e de “cabelo no peito” ao Grêmio de Renato. O tricolor se conformou apenas em “sofrer”, em não perder. É compreensível e perdoável, mesmo assim, ficou uma sensação de que os gaúchos “já entraram em campo derrotados” e pecando pela “submissão”. A demora quase irritante de Renato em alterar o time foi ilustrativa. Davi só venceu Golias porque ousou acionar o seu estilingue – ou “funda” como se diz no Rio Grande do Sul. Que sirva de lição!

No limite

O vice-campeonato mundial foi o limite do Grêmio de Renato. Para chegar ao lugar mais alto e nobre do Planeta Bola, não basta apenas “motivação” e gestão de grupo. Renato é um extraordinário líder, mas carece de métodos um pouco mais modernos que sejam capazes, pelo menos, de reduzir as distâncias contra times superiores. Nos primeiros minutos de jogo, o treinador surpreendeu o mundo ao propor marcação alta. Depois, pecou por fazer mais do mesmo…

Lições ignoradas

Sem Arthur contra o Pachuca o Grêmio ficou lento, previsível, sem saída de jogo. Contra o Real Madrid, Renato não corrigiu o problema: Ramiro poderia ter invertido de posição com Jaílson para amenizar a falta de transição, bem como acionar mais os laterais. Luan até recuou mais pra buscar o jogo, mas… deixa quieto! Ficou para a próxima!

Imprevisibilidade

Futebol mais do que nunca é a busca por “espaços”. Eis o porquê o repertório tático e as alternativas de jogo se tornam cada vez mais importantes. No Real Madrid, Zidane não é muito afeito a fórmula, mesmo assim, o time troca de sistema pela movimentação do meia Isco ― passando do 4-3-1-2 losango, para o 4-2-3-1, 4-4-2 e 4-3-3. Resultado: os espanhóis sobraram não apenas técnica, mas também taticamente. No Grêmio, Renato é refém e bitolado ao 4-2-3-1 com migração tática para duas linhas de quatro desde a Era Roger Machado. Já tratamos sobre isso “troçentas” vezes neste singelo espaço.

Justiça

Os números do jogo ilustram o “passeio” espanhol. Foram 61% de posse de bola, 20 conclusões contra apenas a falta da intermediária cobrada por Edílson, além de oito escanteios merengues frente a uma única oportunidade azul, preto e branco. Entretanto, o gol não poderia ter saído como saiu: por uma barreira falha, tendo em Luan e Barrios os vilões.

Copa do Mundo

Pedro Geromel provavelmente garantiu vaga na Copa do Mundo da Rússia em 2018. O camisa 3 foi impecável na bola alta, por baixo, na antecipação, no posicionamento, no ‘mano a mano’, na recuperação. Seu único erro foi a ‘chegada’ mais forte em Cristiano Ronaldo que poderia ter custado inclusive uma expulsão caso a arbitragem recorresse ao vídeo. Tirando isso, Geromito justificou o apelido com louvores.

Seleção

Em tempo: o fato de Kannemann ser “coadjuvante” de Geromel ilustra a excelência do jogador brasileiro ― o castelhano é outro extraordinário defensor. Se Tite titubeava em convocar o camisa 3 devido ao nível dos campeonatos sul-americanos, o treinador gaúcho pode ficar tranquilo. Geromel enfrentou Cristiano Ronaldo e Cia com a mesma desenvoltura com que bate de frente com avantes no campeonato gaúcho.

Versatilidade

O que jogou o lateral-esquerdo Marcelo não está no gibi. Não é à toa que Tite já disse que gostaria de ter tempo para testá-lo na meia-cancha! Aumentaria e muito a versatilidade da meia-cancha canarinho, hoje, dependente praticamente da cadência de Renato Augusto ― já que Coutinho atua mais como um meia-atacante mesmo quando atua recuado.

Perfeição

O time de Zidane tem apenas quatro mazelas. O goleiro Navas, o lateral-direito Carvajal, o centroavante Benzema e o próprio treinador. Mazelas dentro da grandeza e poderio econômico dos galácticos, é claro! Se contratar o goleiro De Gea e o centroavante Levandowski, conforme se cogita na imprensa europeia, o Madrid tem tudo para se tornar cada vez mais surREAL.

Extraclasse

Cinco vezes melhor do Mundo, elogiar o talento de Cristiano Ronaldo é ‘chover no molhado’. Todavia, o camisa 7 me parece fruto de sua própria entrega, dedicação, suor. Ele consegue se atualizar como uma excelência espantosa. Se antes era ponta-esquerda, hoje está muito mais para centroavante. A “fome” pelo gol o tornou ainda mais letal.

Resumo da ópera

A renovação de Cícero, bem como o recondicionamento de Maicon devem devolver o futebol de excelência ao Grêmio em 2018 ― já contando com a iminente saída de Arthur. Aliás, a ausência do camisa 29 foi avassaladora, principalmente porque Luan repetiu a média de suas atuações em grandes jogos ou quando a marcação é mais pesada: foi uma figura decorativa em campo. Para 2018, o Grêmio tem tudo para repetir o desempenho que, por vezes, foi o melhor futebol do Brasil. Quem sabe não venha o primeiro campeonato brasileiro de pontos corridos para o futebol gaúcho?

Excelente Natal e abençoado 2018 a [email protected]!

 

Fotos: Grêmio oficial/ Lucas Uebel; CBF oficial e Confederação Portuguesa de futebol/oficial

3 Comentários

  1. jj 18 de dezembro de 2017 Reply
    • SAUL Teixeira SAUL Teixeira 18 de dezembro de 2017 Reply
      • Jj 18 de dezembro de 2017 Reply

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