Guto Ferreira e a “negação” da obviedade no Inter

Sem mágica

Em futebol não existe mágica, é necessário tempo, repetição, insistência. Porém, alguns atributos podem ser efetivados com o mínimo de treinamentos realizados. Escalar os melhores, retirar lições das partidas anteriores e praticar o óbvio deveriam ser mantras de qualquer treinador. Não é o que tem ocorrido no início de trabalho de Guto Ferreira à frente do Inter. No mundão do Arruda ― no sofrível empate sem gols e sem futebol com o Santa Cruz ― as escolhas do treinador conseguiram superar a precariedade do gramado no quesito “desserviço ao esporte bretão”.

D’Aledependência

Sem D’Alessandro, seria previsto a dificuldade do Inter na armação, transição ofensiva e trabalho de meio. Pelas últimas aparições em meio aos jogos, o jovem Juan deveria ser o substituto natural do capitão colorado.

Habitat

Pelas condições do gramado seria óbvia a escalação de Brenner como titular. Seria fundamental que o time tivesse a alternativa da chamada “transição longa”, quer seja, acionar o centroavante e brigar pelo rebote. O camisa 38 também seria útil na bola aérea. Guto errou 13 vezes: na escalação e depois nas três substituições.

Camisa 2

Pelo que vinha jogando William e pelo que vem jogando Junio, o veterano Ceará é titularíssimo do Inter se tiver estiver minimamente condicionado fisicamente. Nada justifica deslocar Edenílson para função, já que o camisa 8 é peça-chave para a mecânica de meia-cancha. Outra opção seria o aproveitamento de Cláudio Winck, que guardadas as proporções, vem barbarizando na terceirona gaúcha.

Perguntar não ofende

Os dispensados Paulão e Réver jogam menos que os atuais zagueiros do Inter? A resposta me parece óbvia! Apenas o lesionado Victor Cuesta é condizente com a grandeza do Inter das atuais opções disponíveis no Gigante da Beira-Rio. Então não há alternativa: a solução é “sair às compras”!

Pelos flancos

Guto mandou a campo o time formatado no 4-1-4-1, que é primo-irmão do 4-2-3-1. Entretanto, a mecânica não funcionou, sobretudo, pela pouca inspiração dos extremas Sasha e, principalmente, Marcelo Cirino. Para cumprir a função é preciso mais do que realizar o trabalho sem a bola. É fundamental, entre outros, ingressar pelo meio, investir na diagonal criando ângulo para o chute e, principalmente, ingressar na área para concluir. Pelo menos hoje o Inter não possui atletas com características para desempenhar a função com louvor. Talvez Diego seja a exceção para confirmar a regra!

Losango

Para o futuro, creio que a insistência do 4-4-2 losango seja a formatação mais adequada para equilibrar o time e potencializar as individualidades. Não esqueçamos de que é preciso blindar D’Alessandro das tarefas mais pesadas de recomposição. E mais: com um tripé de meio será possível garantir mais liberdade também para Pottker e Nico, que possuem “fama” de titulares ― sem Pottker, Brenner deveria retornar à equipe. No meio-campo ideal haveria, então, Dourado, Edenilson, Gutiérrez (Uendel) e D’Alessandro.

Bom “sofrimento” aos colorados.

Fotos: Ricardo Duarte/Internacional oficial

1 Comentário

  1. Luis Felipe Ramos 19 de junho de 2017 Reply

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