Grêmio: Renato ganha e os jogadores perdem?

Ego e vestiário

Não “cola” bem os chiliques do comandante a cada erro de seus comandados – no empate contra o Novo Hamburgo, na Arena, a cada tentativa de gol fracassada, no segundo tempo, Renato invocava a ira: socava o ar, levantava as mãos aos céus, esboçava chute na água, esbravejava contra a casamata, como quem diz: “se eu estivesse lá, vestindo a camiseta número 7, a história seria diferente”. Folclore e idolatria à parte, não pega bem.

Prazo de validade

Parece que quando as coisas não dão certo, Renato está imune, a culpa é dos jogadores. No vestiário isso é perigoso! O subordinado precisa de carinho, de atenção, de proteção quando o desempenho e/ou resultado não são satisfatórios. Precisa, principalmente, de blindagem. “Quando as coisas não vão bem, eu sempre serei o responsável”, disse Luis Enrique, técnico do Barcelona, após o “chocolate” levado da Juventus na última semana. É apenas o exercício do politicamente correto? Que seja! Mas sem dúvidas, é a postura que se espera de um líder: assumir a “responsa” e acalentar seus pupilos. Talvez o fato justifique o porquê Renato tem sua biografia marcada por trabalhos de curto prazo.

Rival de peso

Dentro de campo, contra o Nova Hamburgo, o tricolor teve volume, mas parou na estratégia de Beto Campos e seu modelo reativo: marcação intensa, adiantada, negando espaços, setores próximos (compactados), brecando a saída de Maicon e Ramiro e explorando os contragolpes. A melhor campanha da primeira fase, protagonizada pelo Nóia, não é obra do acaso.

Ao ataque!

renato capa

Na etapa final, Renato mandou a campo uma espécie de 4-2-4, com Éverton, Luan, Barrios e Bolaños (depois Lincoln). Consequência? Faltou recomposição pelos lados, o time ficou vulnerável e só não levou a virada graças a trave e o rebote desperdiçado pelo Nóia. Se Renato mantiver a mesma estrutura de time disposta no 4-2-3-1, Fernandinho é candidato a ser titular na vaga de Pedro Rocha. Primeiro porque é melhor atacante que PR, sobretudo no quesito conclusão. Segundo: Fernandinho também cumpre a tarefa tática de recomposição que teoricamente justifica a ‘cadeira cativa’ de Pedro Rocha.

Futuro

Que sirva de legado para os próximos desafios: futebol requer equilíbrio, sempre, principalmente no meio-campo. Empilhar atacantes não é sinônimo de ofensividade, jamais! Em tempo: com Ramiro e Maicon marcados, o Grêmio ficou engessado. Não seria a hora de Gata Fernandez receber mais oportunidades? Não seria o momento de Renato promover alguma novidade tática? Creio que sim! Ao menos para servir de alternativa em meio aos jogos e para, de alguma forma, tentar bagunçar a defesa rival.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio oficial

4 Comentários

  1. jj 17 de abril de 2017 Reply
    • SAUL Teixeira SAUL Teixeira 19 de abril de 2017 Reply
  2. Rodrigo 18 de abril de 2017 Reply
    • SAUL Teixeira SAUL Teixeira 19 de abril de 2017 Reply

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