Grêmio e a ‘cereja do bolo’ que embala o sonho da América

Craque à vista

Por maiores que tenham sido as metamorfoses no futebol na última década, notadamente nos quesitos táticos e físicos, a qualidade técnica ainda é quem dá as cartas na arte de chutar a bola. Trazendo o debate para a realidade gaúcha, o equatoriano Miller Bolaños surge como grande candidato a protagonista do Grêmio de 2017. Por sua capacidade de criação, velocidade, chegada à frente, improviso e, sobretudo, conclusão. Após vencer a dura lesão no rosto e dissipar um pouco a timidez, o camisa 23 hoje está habituado à capital gaúcha e inserido definitivamente nas questões azul, preto e branco. Embora com atrasado, o meia e atacante surge como a cereja do bolo de uma equipe que mesmo campeã da Copa do Brasil ainda carecia de um craque ou ao menos de um atleta fora da curva. Eis Miller!!!

Linhagem

Bolaños é de outra turma! Em matéria de Grêmio, os últimos dessa estirpe foram Zé Roberto e Ronaldinho Gaúcho ― já que Douglas Costa recebeu poucas chances no time A. Não estamos comparando, tampouco igualando os três, mas sim, colocando o asterisco de ‘jogadores diferentes’. O equatoriano ainda é jovem e tem potencial inclusive para fazer carreira fora da América do Sul. Tomara que demore. O futebol gaúcho e nacional é carente de atletas que fujam da mesmice técnica.

Encaixe

miller capa

O camisa 23 é o típico jogador que ‘ajeita’ time. É o bom aluno que influencia os colegas de classe. Com o seu retorno, contra o Juventude, Renato conseguiu, enfim, reeditar o bom desempenho que levou o time ao Penta há quatro meses, com direito a ‘chocolate’ e 4 a 0 no placar. O equatoriano garante mobilidade e imprevisibilidade ofensiva ao time, variando de posicionamento com Luan entre armador e falso 9. É ali seu habitat natural: ao centro, atuando entre as linhas de marcação e fustigando o gol adversário. Sem Douglas, mais do que nunca o caminho para o sucesso passa pela mobilidade. Por essas e outras vejo Lincoln à frente de Gata Fernandez como alternativa.

Correção

renato-furacao

Por maior que seja o decréscimo de qualidade do time devido às ausências de Geromel, Maicon e Douglas ― sem falarmos na saída de Walace ―, Renato demorou a testar alternativas, a bagunçar a estrutura rígida do time para, de alguma forma, taticamente compensar as carências. Embora tenha mantido a mesma estrutura disposta no 4-2-3-1 com variação para duas linhas, a movimentação de Luan e Bolaños por diversas vezes deixou o time disposto no bom e velho 4-2-2-2. O recuo de Ramiro para a vaga de Jaílson e o ingresso de Léo Moura no meio-campo igualmente elevaram as ações do time, com Pedro Rocha no flanco canhoto garantindo o equilíbrio sem a bola.

Resumo da ópera

Leo mouraaaa

Não é possível fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. Méritos a Renato, antes tarde do que nunca. A volta de Edílson também possibilitou as mudanças de Ramiro e Léo Moura e ampliou as opções do comandante.

Futuro

barrios futuro

Ampliar o repertório tático do time é um dos principais desafios de Renato para 2017. O flerte com o 4-2-2-2 surge como interessante ponto de partida. Outras alternativas merecem laboratório para potencializar as fartas opções de meio e ataque. Quando o Departamento Médico estiver vazio, um losango com sua variações com Michel, Maicon e Ramiro numa primeira linha, tendo Luan e Bolanõs à frente deles e Barrios no comando de ataque poderá elevar o patamar técnico do time. Vale ao menos o teste. Tudo para que o time de Bolaños faça de 2017 uma temporada inesquecível para a nação de três cores. Que tal a inédita conquista do Tri da América para o futebol gaúcho?

Fotos: Grêmio oficial/ Lucas Uebel

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