Tite coloca a Seleção Brasileira, enfim, na Era do futebol moderno

Tietando 

Se toda a obviedade é burra, Tite à frente da Seleção Brasileira é a doce exceção que confirma a regra. Desde o fatídico 7 a 1, o gaúcho de Caxias do Sul foi guindado a todos que gostam minimamente do futebol como o único capaz de resgatar a identidade do selecionado nacional, sobretudo, com investimento no desempenho, no futebol além do resultado que gera resultado. Bingo! Compactação, marcação adiantada, posse de bola objetiva, mas também paciente, mobilidade ofensiva, meio multifuncional, triangulações, amplitude etc. Enfim, a pátria de chuteiras, virtualmente classificada à Copa da Rússia, enfim, passou a exercer alguns dos conceitos fundamentais  para o sucesso no chamado futebol do século 21. Um brinde às chuteiras coloridas, selfies e tatuagens.

Resumo da ópera

Os 100% de aproveitamento em sete jogos, com direito a goleadas sobre Argentina e Uruguai ― essa no Centenário por assombrosos 4 a 1, de virada na última quinta-feira (23/03)― ilustram a excelência do trabalho disposto numa estrutura tática moderna e entusiasta em 4-1-4-1 com suas variações. Há tempos esse espaço alertava que o problema da seleção não era a safra, mas sim, a inexistência de uma concepção tática moderna de futebol. Antes tarde do que nunca, Tite está recuperando o tempo perdido. Hoje os jogadores atuam na mesmíssima estrutura tática tanto em seus clubes, sobretudo os da Europa, quanto na seleção. Futebol se faz com rotina, insistência e repetição. Como existe pouco tempo para treinamentos na Granja Comary, aproveitar o legado europeu tem sido imperioso.

Alerta

titeeeeeee capaaaaaaaa

Gostaria que a Copa fosse amanhã! É aquela velha história: mais difícil que “chegar ao topo” é manter-se nele. O desafio da comissão técnica será árduo: manter a performance, a corda esticada, até o mundial do próximo ano. Lembram da grande campanha da Argentina nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002? Serve de prevenção! O relaxamento natural dos atletas, ou o velho e nada bom ‘salto alto’ surgem como ameaças. A partida contra o Paraguai, em casa, na próxima semana, será sintomática para que, Tite, uma vez mais, consagre o profissionalismo em verde e amarelo.

Bruxismo

Tite faz bem em iniciar o trabalho convocando jogadores de sua confiança, sobretudo, os campeões brasileiros com ele no Corinthians em 2015. Renato Augusto, por exemplo, é o cérebro da equipe (nova essa, em?). Tal qual Paulinho campeão mundial com Adenor Bacchi pelo mesmo clube paulistano. Entretanto, o zagueiro Gil e o lateral-direito Fagner são insuficientes para vestir a amarelinha, por exemplo. Existem alternativas superiores tecnicamente visando o hexa no próximo ano. Confira alguns pitacos abaixo.

Poucas vagas

thiago

Defesa – Embora esteja mantendo a regularidade, não vejo Marquinhos como titular para a Copa do Mundo. Em algum momento, Thiago Silva tende a assumir o posto ao lado de Miranda. Isso se o ex-capitão conseguir afastar os problemas emocionais que desgraçadamente tem atrasado sua carreira. Rodrigo Caio, Pedro Geromel e até David Luiz merecem o laboratório. David, aliás, também atua como volante e versatilidade é fundamental para uma Copa do Mundo. Porém, o camisa 30 do Chelsea tem atuado num sistema de três zagueiros, o que talvez esteja o afastando das convocações.

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Ataque – No comando ofensivo faltam opções, sobretudo na ausência de Gabriel Jesus. Roberto Firmino até ‘quebra o galho’, mas ainda há vagas no ataque. Lucas Moura do PSG, Hulk, Robinho, Dudu, Gabigol, Jonas, embora nem todos sejam centroavantes, ainda concorrem por fora. Neymar pode ser também falso 9 circunstancialmente para que Douglas Costa atue à esquerda. Pato será que repete o bom futebol do Villareal agora na China? Fred é “muito velho” para merecer nova chance? A concorrência está aberta.

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Meio – Na volância também faltam opções aos titularíssimos Casemiro e Paulinho, autor de três gols contra os uruguaios. Fernandinho está longe de merecer unanimidade. Elias, Fabinho do Mônaco, William Arão e Walace ex-Grêmio também merecem chances. Na extrema direita a disputa é pela titularidade entre Philippe Coutinho e William.

fabinho

Laterais – No lado esquerdo a dupla Marcelo e Filipe Luís praticamente carimbou o passaporte, sobretudo por serem complementares: o primeiro é mais agudo e o segundo garante mais robustez defensiva. Na camisa 2 apenas Daniel Alves está consolidado. Mariano do Sevilla, convocado para o jogo contra o Paraguai, o próprio Fabinho, bem como Victor Ferraz do Santos também podem surgir como surpresas na vaga que já foi de Djama Santos, Carlos Alberto Torres, Leandro e Cafu.

Diego-Alves

Meta – O ex-colorado Alisson tem jogado pouco na Roma e existem opções à altura para brigar pela camisa 1. Ederson Moraes do Benfica e Diego Alves do Valência ― que aliás, incompreensivelmente jamais foi chamado por Tite, justificariam a oportunidade pelo simples critério da meritocracia.

Enfim… Salve Tite, o treinador dos treinadores! Aconteça o que acontecer…

 

Fotos: Lucas Figueiredo/CBF e Mônaco oficial

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