Inter de Zago e o preceito básico ignorado

Meia-cancha

Futebol se ganha, se perde ou se empata é no meio-campo. Nas últimas duas partidas pelo Gauchão, porém, Antônio Carlos Zago tem ignorado a premissa, o que mandou às favas a evolução do time. No jogo mais recente, contra o São Paulo-RS, no Beira-Rio, o 4-3-3 revelou-se equivocado em todos os quesitos. Com apenas três jogadores no meio-campo, o Inter entrega o ‘campo’ ao rival, ficando em inferioridade numérica. O problema ganha ares dramáticos contra equipes que colocam até seis atletas no setor, sobretudo aqueles que jogam com o chamado falso 9.

Resumo da ópera

O recuo de D’Alessandro ― que completou 350 jogos com a camiseta alvirrubra ― para a linha dos volantes engessa completamente o time, afastando o camisa 10 da zona de articulação, desgastando o capitão fisicamente e isolando os três atacantes. Para o futuro, a insistência com Uendel como terceiro homem, liberando mais D’Ale parece ser o ‘pulo do gato’ para o restante da temporada. Ao menos que um outro meia seja contratado para fazer dobrada com D’Ale e, aí sim, devolver Uendel ao lado esquerdo.

Improvisação?

Dale e uendel

Zago já disse ser contrário às improvisações. Concordo! Entretanto, o lateral-esquerdo Uendel é a exceção para confirmar a regra. Sem um segundo volante afirmado ― Charles ainda oscila e gosta de jogar mais recuado, na mesma função de Dourado ― e diante ao fracasso técnico de Seijás, as melhores apresentações do Inter foram com Uendel na meia-cancha. O camisa 6 lidera a transição, inicia a armação e faz interessante triângulo com D’Ale e o lateral canhoto. Com a lesão de Carlinhos e a não inscrição do jovem e promissor Iago, uma das alternativas seria a improvisação de Victor Cuesta como lateral ou até Ernando. O ‘encaixe’ do time com Uendel no meio justifica o aparente devaneio.

Olho neles!

Destaque do São Paulo-RS no Gauchão o segundo volante Fidelis, 28 anos, merece ser observado pela dupla Gre-Nal. Nem sempre a solução são atletas rodados e que exigem altíssimo investimento. O volante Tchê-Tchê do Palmeiras veio do Audax-SP e é o mais titular dos titulares do time de Eduardo Baptista, por exemplo. Não estou comparando a qualidade técnica jogadores, mas apenas suas origens. Que fique claro!

Função x posição

Zago capa

O meio-campo em losango com suas variações ― notadamente a chamada ‘Árvore de Natal’, quer seja, o 4-3-2-1 ― necessita de atacantes que saibam trabalhar recuados. Do contrário, fragiliza o meio-campo e engessa o time, retirando a capacidade de articulação. É o caso de Carlos, que sendo centroavante de carteirinha, não consegue render pelos flancos. No lado oposto, Nico López tem tido melhor rendimento. Para o jogo contra o Ypiranga, nesta quarta-feira (22/03), Valdívia, Roberson e Anselmo são os principais candidatos para preencher a lacuna deixada pela lesão de Carlos. Aliás, o camisa 11 é centroavante e precisa disputar vaga com Brenner.

Poka sequência

Valdivia vs galo

Valdívia, ao contrário, é da função e merece receber sequência, ou ao menos, mais chances. Embora tenha como ponto de partida a extrema-esquerda, o camisa 29 se movimenta, flutua pela zona de articulação e tem qualidade no arremate. Sem a bola, está habitado a fechar espaços e seria fundamental para a migração defensiva para as duas linhas. É o legítimo peixe dentro de seu habitat. Falta-lhe sequência!

Pitaco em campo

Para a partida contra o Ypiranga, o “meu” Inter ideal teria, disposto no 4-3-2-1: Danilo Fernandes; William, Léo Ortiz, Paulão e Victor Cuesta; Dourado, Charles e Uendel; D’Alessandro e Nico López; Brenner.

Boa sorte aos vermelhos!

Fotos: Internacional oficial/Ricardo Duarte

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